textos

Reviravolta

14/06/2017

Tudo parecia ir bem. Tudo parecia estar nos eixos. Tranquilo, rotineiro e até cômodo.

Eu já havia me acostumado a acordar todos os dias às 6h30 da manhã, tomar meu café, me arrumar  e seguir pro trabalho. Já havia me acostumado com o trânsito, com a falta de educação das pessoas. Já havia decorado quais sinais eu pegaria vermelho se demorasse muito para passar determinada rua.

Alguns dias que eu acordava, olhava pela janela e imaginava o que eu faria se fosse livre. Livre no sentido de poder viajar, de acordar e fazer aquilo que estivesse com vontade. Livre pra poder sair por aí. Às vezes, desejava isso. Porém, quase todos os dias, agradecia silenciosamente pela minha rotina, que apesar de exaustiva, era boa, era estável, era algo que me motivava a continuar.

Mas, como sempre tem um ‘mas‘, a liberdade veio de uma maneira meio incômoda, inesperada, num momento não tão oportuno. Sentada no cantinho do sofá na sala fria, às vezes me pego pensando o que foi que fiz de errado, o que foi aconteceu. Nunca pensei que algum dia iria questionar se a minha formação, aquilo que sempre amei fazer, era o certo; se eu deveria ter tentado algo diferente.

Me afastei daquilo que me dava prazer. Me afastei de tal maneira que questionei, no frio, se eu deveria continuar. Um caos completo.

E pra ajudar, a saúde também fraquejou. Entre uma crise de tosse e dores no peito, escrevo isso para tentar me animar. Para tentar encontrar o sentido, o porquê de eu ter começado tudo isso aqui, saindo um pouco do meu refúgio dos livros e acreditando que, se não for um inferno astral antecipado, é uma puta reviravolta na vida.

Nem banho de sal grosso adiantou. A coisa tá feia mesmo…

***

Me acompanhe por aí: Facebook | Twitter | Instagram | YouTube 💙

You Might Also Like

Sem comentários

Leave a Reply