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Pensamentos de fim de ano

27/11/2016

No canto do meu quarto, tem uma pilha de roupa e coisas que não quero mais. Chega nesta época do ano e minha vontade é de desentulhar tudo aquilo que tenho e não tem mais nenhuma utilidade para mim. Na verdade, quando chega a essa época do ano, paro para pensar e ponderar como tudo foi, como está sendo, como era pra ser e o que vou fazer da minha vida agora em diante.

Já sinto o peso da idade que vem chegando. Pode soar dramático isso, mas em 2017 faço 25 anos. Em minhas agendas do passado, eu nunca fiz nenhuma anotação sobre como seria minha vida quando tivesse 25 anos, nunca coloquei num papel como eu desejaria estar quando estivesse com 25 anos. Na minha cabeça e nos meus escritos, sempre escrevi muito sobre como seria quando eu saísse da faculdade, coisas lá pelos meus 22 anos. Isso me faz sentir velha o suficiente, com preocupações demais e precisando cuidar da saúde urgentemente.

Jogar “fora” aquilo que não vai ter utilidade é uma forma de reviver o passado em pequenas doses. Lembrar do momento em que adquiri tal roupa ou tal objeto pensando que ele se tornaria especial ou meu “traje” da sorte. Coisa boba, fé que deposito em pequenas coisas para me agarrar a esperança de ter sorte ou de ter momentos bons (coisa que eu não deveria fazer, já que ser feliz depende única e exclusivamente de mim).

Crescer e dar de cara com a realidade não tem sido fácil. Principalmente quando você se torna responsável (por aquilo que cativas) por contas, por apartamento, por responsabilidade… ou seja, Pequeno Príncipe nunca esteve tão certo de suas frases. A vida não é mais regada a férias de verão, não é mais tão doce assim, não tem mais aquela vivacidade de acordar e ir andar de patins; as costas doem, a canseira bate e o cabelo nunca acorda bom o suficiente para encarar o dia com ele solto (ok, nada que um elástico não resolva…). A questão é que você luta por continuar a ter pequenos prazeres, mas simplesmente não dá. Quando você vê, já são 18h do domingo e o final de semana passou assim como aquela tão desejada brisa num dia insuportavelmente quente.

Esse processo de não guardar as coisas pode ser uma prévia daquilo que vou ter que fazer ano que vem e, para ser bem sincera com vocês, estou até um pouco receosa. Além de todas as coisas que listei acima, também vai ser o ano de montar minha própria casinha. De juntar o dinheiro suado que quase nunca sobra no fim do mês e comprar móveis e eletrodomésticos. Meus Deus. Nossas prioridades mudam demais.

Desculpem minha melancolia. Talvez esteja ligado ao fato de ter assistido o revival de Gilmore Girls (estou em choque ainda…). Talvez pelo fato de não ter me acostumado com a ideia de fazer 25 no ano que vem e que vou encarar uma nova etapa da vida. Talvez, só talvez, eu estou vendo que ser adulta e viver com inseguranças não vai adiantar nada. Estou respirando fundo, seguindo em frente, botando minha vida em ordem e tentando deixar para trás aquilo que realmente não vai acrescentar em nada na minha vida.

Foto via Unsplash.

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