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Minha vida durante 4 anos de faculdade

28/10/2014

Quando eu entrei na faculdade, minha vida virou de cabeça para baixo. Entrei em abril de 2011, na sexta chamada da UFSCar. Um mundo novo, diferente, naquele lugar imenso que, a partir de então, seria a minha nova “escola”. Acho que já falei mais de mil vezes que Linguística nunca foi a minha primeira opção. Na verdade, ela nunca teria sido opção até aquele instante. Antes de saber o resultado da UFSCar, eu estava no cursinho tentando me preparar novamente para uma leva de vestibulares para tentar passar em Jornalismo. Depois de um tempo, compreendi que não era para ser. Dois anos consecutivos não passando por UM ponto. É de querer morrer.

Nessa descoberta de um novo mundo, mal sabia eu que também me descobriria. Tinha 18 anos, curtia McFly, assistia Glee, ia à academia todo santo dia para manter um corpo que eu demorei a conquistar. Gostava das coisas fúteis, tinha acabado de tirar carta e era louca pelo meu Ford Ka 2004. Estava começando a namorar o Tico também. Reviravoltas.

No primeiro semestre foi um baque: matérias extremamente teóricas, pessoas muito diferentes do que estava acostumada. Sentia falta, muita falta, do meu grupinho de amigas e das matérias fáceis do cursinho. Introdução à Linguística foi a matéria que mais odiei. Talvez ódio seja uma palavra um pouco forte. Mas foi, de longe, a matéria que eu mais tive dificuldade: o livro era extremamente complicado e o método de ensino da professora também não ajudava muito. A primeira vez na minha vida que tirei um 2,02 numa prova e 1,52 na outra. É mole? Não, não é.

Eu sentia falta do meu amigo que matava aulas comigo no cursinho. E nesta vibe, muitas vezes fui embora de várias aulas durante o primeiro ano. Estava na faculdade, que se foda. Tinha provas, trabalhos, namorava, minha vida seguia normal, que mais que eu queria?! Apesar das dificuldades, nunca fiquei de DP.

Em 2012, foi o ano das mudanças. Por motivos maiores, tive que arranjar um estágio dentro da própria UFSCar. O lugar? Era péssimo. Eu não aprendi nada. A pessoa que era encarregada de me ensinar as coisas, não passava e, quando me cobravam, ela falava que eu não fazia, que vivia com a cabeça nas nuvens ou lia coisas que não podia durante o estágio. É mole?! Ouvi muitas mentiras a meu respeito naquele lugar. Mas, em compensação, conheci um anjo que trabalhava na limpeza do prédio. A dona Dudu foi a pessoa mais calma e radiante que eu já conheci. Ela sorria por tudo e estava sempre alegre. Conseguia me alegrar em dias difíceis e aprendi com ela que certas dificuldades não são nada, são só momentos passageiros.

No mesmo ano, prestei uma prova pra outro estágio, ainda dentro da UFSCar na área de Jornalismo, e adivinhem só? Isso, não passei, mas desta vez por 0,1. Minha nota foi 5,9 e eu precisava de 6 para estar dentro. Quase desisti do curso.

Desmotivada, pedi minha transferência para um novo setor dentro da UFSCar. Conheci a Néia, a secretária da Pós em Psicologia e posso dizer que ela me ensinou tudo o que aprendi naquele estágio e claro, conversa vai e conversa vem você acaba aprendendo mais sobre a vida também. Foram momentos e momentos. O estágio era tranquilo – comparado a minha atual situação -, mas a remuneração era bem pouca. Levei essa situação por quase 2 anos. Eu gostava do local, das pessoas e do que eu fazia – ainda conseguia estudar de vez em quando e tinha um tempo livre às vezes, na parte da tarde.

Minha vida acadêmica melhorou muito depois que comecei a trabalhar. Consegui me ocupar mais, me organizar mais e, em consequência, estudar melhor e ter notas melhores. Só que minha cabeça estava um caos. Passava por momentos difíceis no namoro e minhas amigas tinham se afastado de mim. Tive alguns problemas com amizades também na faculdade. Eu estava mudando, sentia isso. Às vezes, olhava no espelho e não me reconhecia. Era como se eu carregasse o mundo inteiro nas minhas costas e só tinha 20 anos ainda.

2013 chegou e foi um ano relativamente estável. Continuei no estágio e indo às aulas, mas comecei a ganhar muito peso. Todo aquele corpo que eu amava em 2010/11 tinha ido por água abaixo. Voltei a ser a gordinha de sempre e ter aquele corpo que eu não queria. Foi um processo lento e eu mal percebi. Quando dei por mim, me vi inchada; as minhas blusas e calças mal servindo. O que eu estava fazendo de minha vida?!

Neste ano comecei a me familiarizar melhor com o curso. E percebi que adorava algumas teorias e que queria me aprofundar nisso. Me senti realizada.

Paralelamente, resolvi fazer um curso de assessoria de imprensa. Me senti mais próxima ao meu sonho, estava feliz, exultante. Mas, houve um momento em que também tentei outro estágio na área de jornalismo. Foi na EPTV. Mandei meu currículo. Perguntaram de volta “o que é linguística?”. Preciso dizer qual foi o resultado?

E agora, 2014. Não vi esse ano passar. Pra mim ainda estou em fevereiro, quando mudei pro meu atual emprego. Ainda parece que o ano letivo não começou direito. Parece que tem algo faltando. Parece que, quando não piso na UFSCar há algo faltando. Sinto falta de ver a Ana todos os dias também. Mas, já é quase novembro e já tem data para isso tudo terminar. Dia 15 de dezembro mais um ciclo se fecha, mais uma etapa da minha vida. Um diploma.

O que eu aprendi em todos esses momentos? Acabei me acostumando a acordar cedo, me olhar no espelho e ver uma pessoa diferente a casa dia que passa. Hoje, com 22, percebo claramente que não sou mais aquela menina sonhadora de 18 anos. Que focos e sonhos mudaram. Que as pessoas podem ser cruéis. Que o mercado de trabalho é competitivo demais. Que a vida vai te colocar em situações de extrema importância, mas vai caber a você a respirar fundo e ver como vai encarar. A faculdade é uma extensão do colegial: ainda vai haver brigas infantis e pessoas infantis. Vai haver matérias que você odeia e outras que você vai amar de paixão. Passa rápido demais e cabe a você a se segurar, erguer a cabeça e determinar qual será seu próximo passo e, pode soar clichê demais, mas é a mais pura verdade: nunca desista de tentar.

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1 Comentário

  • Reply Beatriz Cavalcante 06/11/2014 at 16:09

    Eu sempre vi as pessoas falando que o ano da faculdade era o melhor e a faculdade era a época mais legal que uma pessoa podia ter na vida. Entrei na faculdade meio desconfiada e não tão otimista assim e percebi que a faculdade não é esse mar de rosas todo, pelo menos pra mim.

    Eu não sabia bem o que queria. Já tinha terminado a escola fazia um ano e era arrumar um emprego no telemarketing ou entrar na faculdade. Entrei na faculdade e sem saber qual curso certo a escolher. Sempre gostei muito de design, de layouts, embalagens e coisas do tipo. Queria design se tivesse mas também ficava pensando se eu seria capaz de fazer coisas legais e tals. Não tinha e entrei em analise e desenvolvimento de sistema e nem sabia o que era isso.

    Hoje eu to no terceiro semestre e o curso tem duração de 5. Tô quase colocando as mãos pro céu e pedindo pra deus me levar daqui, hahahaha. Tenho que programar, fazer códigos, fazer projeto, e tem outras matérias estranhas como direito e empreendedorismo. Foi um tempo de muito conhecimento já que eu não sabia nada de computador e tals mas sabe quando você pensa que aquilo não é o que você quer? Mas como você ainda não trabalha e seu pai que paga você deve ficar ali? Ta sendo assim.

    Ano que vem vai ser a época de procurar estágio e eu to com muito medo disso, mas confiante de achar algum legal.

    Os amigos são exatamente como você falou. Lá eu não tenho amigo tenho só colega de sala e olhe lá. Trabalhos em grupo é outra coisa que seja minhas energias, não ta fácil lidar. Mas ta sendo um ano que eu to vendo as mudanças em mim. Também já não sou tão sonhadora como antes o que é uma pena. Estou mais conformada com a vida ser cruel as vezes. 🙁 Mas to confiante de arrumar um estágio, juntar uma graninha e quando terminar entrar para um curso que tenha mais a ver comigo. #oremos hahaha <3

    Beijos!

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