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Crônica da semana: tchau, cabelo

08/05/2017

É sempre aquela história: o cabelo passou do ombro e estou sentindo ele nas costas, já tá na hora da vitamina T. Não tem jeito, parece que ele sente quando quero cortar, cria vida própria.

Acorda e não toma jeito na vida de maneira alguma. Nem com secador, nem com chapinha, nem lavando de novo. Reparador de ponta, creme de reconstrução, nutrição, hidratação caríssimos? Ele rejeita. Diálogo? Não existe. É rebelde, apesar de ser liso, e seu protesto é embaraçar de tal jeito que a cabeça fica cheia de nó – e minha raiva só aumenta.

Cabelo cresce, eu sei, tô ligada, mas toda santa vez é isso. Uma vez curto, pra sempre curto. Cresceu, dá siricutico, dá coceira da bunda, dá vontade de tirar tudo do couro cabeludo. E nem ele aceita mais, como acabei de contar.

Dessa última vez que fui cortar, estava decidida que ia tirar só as pontinhas, um dedinho para deixar ele saudável e para ver se ele parava de se rebelar. Gosto de um tal salão daqui da cidade porque não tem enrolação: lavou, secou, cortou e tchau – sem muito diálogo e sem pessoas querendo saber da vida. Adoro.

Começou ok, nada de mais quando lavaram meu cabelo. Fiquei meio puta quando passaram o pente tão rápido na minha cabeça que quase arrancaram minha pinta e minha pele da lateral da cabeça. Doeu. Doeu tanto que fiquei até meio “anestesiada” na hora do corte. Ouvi que meu cabelo era liso mas embaraçava demais (qual a novidade?) e aí começou. Tec tec tec e nem vi meus ralos cabelos caindo, só ouvi a tesoura e quando pisquei já tava pronto. Por instinto, passei a mão no cabelo e percebi a cagada: tão curto que nem dá pra prender (nem com grampo!). Todo repicando, em camada, um chanel invertido.

– Ficou bom? Era assim?  – Diz o cara mostrando a parte de trás  com um espelho, só para confirmar o que eu já suspeitava: curtíssimo!

– Ahn… opa! Ficou ótimo, excelente! *sorriso amarelo pensando como ia fazer para prender o cabelo na academia*.

Saí de lá no maior receio da minha vida imaginando o que iam achar, se iam me zoar, se eu ia suar tanto na academia que ia aparecer todos os fiozinhos molhados e grudados na minha testa. Saí na maior encanação na vida por conta de algo que eu sempre fiz, mas que tinha deixado de fazer por me preocupar demais com a opinião dos outros.

Viu como é triste? É natural do meu cabelo se rebelar e querer ficar curtinho, leve e soltinho, e eu negando, pensando em mil e uma coisas por algo que não iria acrescentar em nada nessa vida de meu Deus.

Confesso que relutei muitos anos para fazer esse corte, mesmo o Tico falando que ia ficar bonito, mesmo eu sabendo – lá no fundo – que ia ficar bom. Mas, como eu já disse, a minha sorte também é que eu não sou muito apegada com cabelo, afinal demora, mas cresce.

E hoje é um daqueles dias que ele acordou meio rebelde, fazendo uma onda esquista na franja e acabei me perguntando o porquê de ter cortado . Mas ele é assim e já me acostumei. E ai de mim se eu tentar arrumar. Foi aí que decidi escrever. 😉

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Crônica da semana é um post que vou voltar a escrever e compartilhar um pouco desses pensamentos doidos da minha cabeça. Se gostou, compartilhe e comente, isso vai me ajudar bastante! =)

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